Em discussão, o futuro do papel na era da internet
18/08/2006
A dúvida sobre a perenidade do livro como objeto está na agenda de editores e livreiros. A última palestra de seu encontro nacional, marcada para amanhã, será uma mesa-redonda sobre o impacto da era digital sobre o futuro do livro.
O mercado está preparando-se para fazer parte desse novo movimento - e para atuar como protagonista. Essa é a aposta de Eduardo Blücher, da Editora Edgard Blücher, especializada em livros técnico-científicos nas áreas de matemática, física, química, arquitetura, entre outras. "O livro de papel continuará a existir, mas teremos que nos relacionar com o conteúdo de uma forma diferente."
Em outubro, Blücher lançará sua nova empresa, a Etenac, um serviço de venda de conteúdo pela internet. Para isso, ele contratou o grupo de tecnologia belga Bureau van Dijk Electronic Publishing (BvDEP). "Iremos usar a mesma plataforma utilizada pelas Câmaras do Livro da Alemanha e da França", diz, sem revelar o valor investido.
Em um site intitulado 18 Minutos, os consumidores poderão ler as obras por 18 minutos e decidir qual a melhor forma de compra-las - um capítulo, por algumas horas ou por alguns dias. Esse modelo facilitará o acesso dos leitores a muitos títulos, principalmente a obras técnicas-científicas. "Muitas vezes, o leitor precisa de apenas um trecho do livro. A relação de um livro técnico é diferente da relação com um romance, por exemplo", diz. E poderá contribuir para a diminuição da pirataria.
"É algo novo, as empresas querem experimentar antes." O portal 18 Minutos só poderá ser acessado dentro de uma livraria - onde o livro poderá, também, ser comprado. (TB)
Fonte: Valor Online
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Livro é caro e varejo não é treinado para vender
Tainã Bispo
18/08/2006
Eduardo Giannetti da Fonseca, um economista que gosta de ler e escrever livros, disse ontem que preço alto e atendimento deficiente nas livrarias limitam o acesso da população ao mercado editorial. Suas críticas animaram os debates iniciais do 34º Encontro Nacional de Editores e Livreiros, realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em Fortaleza.
Giannetti da Fonseca, em sua palestra, lembrou que a baixa tiragem do mercado editorial - uma média de 4 mil exemplares por título - encarece o produto. "Além disso, vivemos em uma cultura extremamente audiovisual, que reduz o interesse pelo livro."
"O preço do livro no Brasil é proibitivamente caro", afirmou o economista. E, além do produto estar longe do alcance do consumidor, continuou, o serviço prestados pelas livrarias não é bom. "Vou em livrarias e peço uma determinada obra para o vendedor. Faço esse teste regularmente e, muitas vezes, eu tenho que encontrar o livro por ele", contou. "Vocês estão perdendo muito mercado ao não treiná-los", disse, dirigindo-se diretamente a editores e livreiros presentes na platéia.
Para Giannetti da Fonseca, o livro é um produto sofisticado e, em um país como o Brasil, onde a população lê apenas 1,8 livro por ano, o vendedor precisa ter uma "função quase educativa". Citou o livro de bolso (ou "pocket book"), fabricado com material mais simples e de tamanho menor, como uma opção mais barata. "A experiência do 'pocket' mostra que há demanda por isso (livros)".
Não foram todos que concordaram com o economista. Marcus Vinicius Barili Alves, gerente da editora Senac de São Paulo, disse que o preço do livro em dólar é competitivo. "Mas o preço do livro deve ser relativo à renda da população e há espaço para produtos de menor valor", argumentou Giannetti da Fonseca.
Editoras que vendem livros de bolso comprovam que há demanda. A L&PM Editores começou a trabalhar com esse tipo de publicação em 1997. Atualmente, o livro de bolso representa 85% da sua receita. E a expansão prevista para este ano, segundo o diretor Paulo de Almeida Lima, é de 30%.
Só neste ano, a L&PM publicou 150 títulos novos, com uma tiragem de 4 mil a 5 mil cópias e com preço médio de R$ 12. A idéia, disse Lima, é atrair o consumidor pelo preço. "Estamos em supermercados, bancas de jornal e lojas de conveniência. Queremos que o livro fique perto do leitor."
E a L&PM não está mais sozinha. Há um ano e quatro meses, a Companhia das Letras decidiu investir nesse segmento também. Até agora, foram publicados, no formato de bolso, 32 títulos - de um catálogo de 1,5 mil obras. "Publicamos autores de primeira linha e que tiveram êxito comercial (no formato tradicional)", disse Marcelo Levy, diretor comercial. "Queremos alcançar aquele consumidor que teve o projeto de leitura abortado devido ao preço do produto."
Giannetti da Fonseca expôs, também, um outro lado, animador. A universalização do ensino fundamental - hoje cerca de 97% das crianças brasileiras estão na escola - projeta um futuro com mais leitores. "Mesmo que, por enquanto, a qualidade do ensino seja questionável." Apontou outro movimento: o crescimento das igrejas evangélicas, que reforçam o hábito da leitura em seus fiéis.
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Primavera dos Livros entra para o calendário
oficial de eventos de São Paulo
15/08/2006
Pela primeira vez no calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo, a quarta edição da Primavera dos Livros ocorrerá entre os dias 17 e 20 de agosto, no Centro Cultural São Paulo. A feira é uma iniciativa da Liga Brasileira de Editoras (Libre), entidade que representa pequenas e médias editoras em busca de novos espaços para divulgar seus catálogos. A expectativa é de que 15 mil pessoas visitem a feira nos quatro dias de exposição.
O evento terá 90 expositores, que apresentarão títulos, com desconto que variam de 20% a 40%, para todos os gostos: literatura brasileira e estrangeira, obras técnicas, de referência e literatura infanto-juvenil. A programação, com debates; palestras e oficinas, atenderá a todos os públicos. No sábado, dia 19, e no domingo, dia 20, haverá uma série de atividades que visam estimular a leitura e a criatividade dos leitores iniciantes.
Fonte: Portal da Comunicação
Segunda-feira, Abril 13, 2009
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